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Aftersun (2022), de Charlotte Wells

  • Foto do escritor: Isadora Cabrera
    Isadora Cabrera
  • 27 de abr. de 2024
  • 4 min de leitura

Poster do filme Aftersun (2022)
Poster do filme Aftersun (2022)

Esse texto faz parte de uma série de análises de filmes considerados cults ou fora da casinhaaaa para quem não entende muito de cinema (como eu). É uma forma de eu dialogar sobre o filme que assisti sem uma pressão gigantesca de fazer uma crítica social foda ®️. Então, guarde os seus julgamentos e se divirta comigo!


Era uma sexta-feira e eu não tinha planejado nada. Como boa ansiosa e jovem da geração Z que sou, — detalhe: sempre achei que fosse millenial e fui checar isso agora e estou embasbacada — pensei “Meu Deus! Preciso fazer algo. Não posso gastar essa noite em casa como uma pessoa sem vida social”. Decidi então ir ao cinema sozinha, algo que gosto muito de fazer e que me traz inspiração.


Como acontece na maioria das vezes que vou ao cinema só, não escolho o filme porque li sinopses ou assisti a trailers. A decisão se dá por: olhar a capa do filme ou por ter visto alguém conhecido comentar sobre.

E foi assim com Aftersun, longa-metragem de Charlotte Wells, que recebeu 4 indicações ao Bafta 2023. Vale ressaltar que o ator principal do filme Paul Mescal, recebeu indicação de melhor ator para o Oscar.


Comprei minha pipoca, água e um chocolate (estou citando esses itens, pois eles farão parte da narrativa), tinha comprado o ingresso online e escolhi o assento bem no meio da sala, com a fileira vazia.

Sentei, o filme começou e percebi poucas pessoas na sala — ah! se você for de São Paulo, como eu, vou te dar uma ambientação melhor: estava no Cinema Petra Belas Artes, um dos mais antigos e cults de São Paulo, inaugurado em 1943, se destacando por sua programação diferenciada dos “cinemas de shopping”, que costumam ter em cartaz filmes bem comerciais, focando muito nos estadunidenses. No Petra, você verá filme e gente de todo tipo, além de estar em um espaço bem bacana.


O filme começou e, após alguns minutos, uns 20 no mínimo, tive a mesma sensação de quando assisti O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) pela primeira vez — não é que os dois filmes se assemelhem, é que quando vi Amélie, não inseri o fone no notebook direito e passei 30 minutos achando que o filme era mudo, pois só ouvia alguns sons baixos

de fundo e nada da voz (essa é uma história boa, posso contar em outro texto).


Era aquela sensação de que o filme estava um pouco parado, indo bem devagar. Percebemos logo que Sophie (Frankie Corio), é uma garota de 11 anos que vai passar as férias com seu pai, Calum (Paul Mescal), que diga-se de passagem, é um homem com aparência jovem, de uns 30 anos.


Estava comendo minha pipoca e como o filme era bem silencioso em vários momentos, tive receio de estar incomodando as pessoas ao meu lado (chegou uma galera) com a mastigação. O nível de ansiedade da gata… Isso se prolongou ao longo do filme todo, com o chocolate também. Imagina alguém abrindo uma embalagem bem devagar, quase como se fosse proibido. Foi assim.


A Sophie e seu pai chegam em um hotel e levam uma filmadora para gravar os momentos da viagem, o filme transita entre as filmagens desta câmera e de câmeras “profissionais” (aqui você percebe minha falta de técnica sobre cinema e entende o propósito deste texto ser para pessoas não cults).


A narrativa do filme parece simples: um pai e sua filha curtindo as férias em um resort de verão. Mas é aqui que moram os detalhes que fazem filmes cults serem cults: a humanização do cinema, as atividades cotidianas, suas sensações e sentimentos que muitas vezes estão apenas dentro de nós, quase como um senso comum que quando você assiste pensa “eu já passei por isso” ou “essa sensação que está sendo retratada eu também já senti” e plim forma-se o sentimento de conexão e empatia com o personagem. Voilá! Estamos chegando ao patamar francês aqui, hein?


Tem um detalhe importante: não são férias comuns. Não é como se tivesse uma narrativa de filme americano de quando os adolescentes vão para Califórnia ou algo do tipo. Afinal, o diabo mora nos detalhes. Eles estão na Turquia. Quem passa as férias na Turquia? Gente rica. Mas tudo bem, isso não te impede 100% de ter uma identificação com o filme. E pode ser que você não se identifique, mas aprecie a narrativa.


Com o intuito de não fazer esse texto ter spoilers, vou resumir: para quem não tem o hábito de ver esse tipo de filme, é melhor começar por outros mais clássicos, mas Aftersun é um filme bonito e tocante.

A fotografia, trilha sonora (principalmente no fim) e a atuação são dignas de premiação mesmo (como se eu entendesse os critérios para isso, mas enfim). Inclusive, a confusão que senti no começo do filme também se deu porque com a câmera de mão que eles filmam, parece de verdade que é um documentário no começo, com aquela sensação de “o que estou assistindo é real ou atuação?”.


Do meio para o final a história vai engatando um pouco melhor, exatamente como uma crescente — algum cinéfilo saberia dizer o termo técnico para isso. Mas como esse texto não tem o intuito de te convencer a assistir nada, mas sim de te aproximar de filmes menos habituais provando que é possível também dançar o tango que eles dançam, fica aqui a recomendação.


Ah! E eu vou fazer avaliações dos filmes com memes. Esse recebe o selo Pernalonga “Não, porque a paleta de cores!”, de qualidade. O que na minha escala de memes significa que é um bom filme, que você pode chegar em um barzinho e comentar com seus crushs e amigos com esse ar aqui:



Meme pernalonga "a paleta de cores"
Meme pernalonga "mas a paleta de cores"


Beijão da Isa!

 
 
 

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